A Freguesia de Romãs
Constituição
A freguesia das Romãs situa-se num verde planalto, pródigo em fertilidade e povoado por um sem número de pequenas quintas e várias aldeias de casario granítico (Rãs, Douro Calvo, Silvã de Baixo, Carvalhal das Romãs e Soito de Golfar).Romãs não provém do fruto da romanzeira. A sua origem etimológica está antes no nome latino Românicus - de Romanus. assim: (vila) Românici - Romanici -Romance - Romanz - Romãs.Rãs: Quererá significar que ali estão as raízes ou nascentes do rio Sátão? Ao longo da evolução espontânia da nossa linguagem, bem pode ter assentado em Radices-Raices-Rãz. Outros opinam que "Rãs" vem de (vila) Ranici - de "Rano", nome de origem germãnica e então poderia escrever-se como aliás alguns fazem "Rans".
Mais recentemente, associou-se ao batráquio que era vulgar encontra-se nas imensas poças de água existentes nos seus campos, servindo de ponto de referência para os viajantes, devido ao elevado número de rãs que, de noite, enchiam o luar com o seu belo "cantar".
Mais recentemente, associou-se ao batráquio que era vulgar encontra-se nas imensas poças de água existentes nos seus campos, servindo de ponto de referência para os viajantes, devido ao elevado número de rãs que, de noite, enchiam o luar com o seu belo "cantar".
Origem histórica
Embora o nome seja antigo, a freguesia não o tinha na Idade Média, quando o seu território ocupava o centro da “terra” de Gulfar (que era na ocasião a designação da paróquia, única da dita “terra”). Como estas circunscrições administrativas tinham raízes, no geral, bem antigas, em castros ou “cividades”, é de crer que o cume denominado Romãs, que é um cabeço forte sobre o lugar deste nome, tenha sido fortificado em épocas remotas, dando origem à “terra” de Gulfar — nome de origem germânica. O topónimo Romãs por certo nada tem com o fruto que sugere, será antes um patronímico de um nome pessoal. Todas as tradições da “terra” de Gulfar lhe pertencem inteiramente, embora no âmbito primitivo se tivessem separado, pelo séc. XV ou XVI, as três freguesias que rodeiam a de Romãs, suas filiais: Decermilo, ao norte; Silvã, ao sul; e Vila Longa, a leste. A paróquia de Gulfar, que englobava as quatro actuais, tinha o templo na actual de Romãs, razão por que esta pode considerar-se a representante dela no presente — como centro de terra medieva que também era. Nesta havia ainda em pleno séc. XIII mais de quarenta casais, todos foreiros à coroa de jugada. Vê-se que a “terra” tinha sido antes povoada a foro de jugaria. O foro de jugada em Romãs e vizinhas era o seguinte: quem lavrasse com um boi devia dar três sexteiros; quem o fizesse com um jugo de bois ou vacas, dava três quarteiros, quem lavrasse com dois singéis, pagaria seis quarteiros — todas estas medidas, referidas a terças limpas (de trigo, milho e centeio); de vinho pagava um “puçal” quem colhesse quinze moios; de linho, cada casal pagava um “molho”. Já no séc. XIII existia o concelho de Gulfar, cuja cabeça, por certo, estava em Romãs, ou no território actual da freguesia. Conhece-se o segundo foral de Gulfar de 1315 passado por D. Dinis. Este concelho, no primeiro período da monarquia, dava ao rico-homem ou senhor da “terra”, no 1.º de Maio, quando “metesse” o mordomo, três libras e doze soldos, cinco quarteiros de trigo e sete de centeio, e quinze “peladigas” de vinho. No lugar a que hoje corresponde a freguesia de Silvã havia grandes propriedades fidalgas: Silvã de Cima fora doada por D. Afonso Henriques, por carta, a D. Soeiro Guterres e a D. Gonçalo Guterres (que serão os “de Cunha”, pois o Mosteiro de Macieira de Rates também aqui possuía bens doados pelos descendentes deles). Também na Silvã possuíam bens, em 1258, os filhos de algo Fernão Pacheco e Paio Correia. A igreja possuía toda a “villa” de Vila Longa “de populatione de terra”, que parece ter-se operado no reinado de D. Afonso II, pois desde então é que Vila Longa “est tota de ecclesia, et facit forum de toto ecclesia”, não entrando lá o mordomo. A Igreja de Santa Maria estava bem dotada de haveres no séc. XIII, por numerosas doações, entre as quais se contam as de bens nos sítios ou lugares de: Pereiras (dados por Maria Froiaz e por Pero Martins, no tempo de D. Sancho II); S. Bento (doados por Fernandino e D. Auro ou Áurea, no mesmo reinado); Douro Calvo (por Alvitina, na mesma ocasião e no sítio dos Marmoirais — topónimo alusivo a sepulturas postas à beira de um caminho); Riba do Vouga (doados por Gonçalo Froiaz); Paul (por D. Gontinha); Carvalhal (por D. Alva); Presa (por Martim Pais); Seixal (por D. Elvira); Sesmiro ou, hoje, Decermilo (sítio de S. Pedro, doado por Maria Gonçalves) e outras. Quase todas estas doações eram do tempo de D. Sancho II, mas a Igreja possuía muitas outras, de tempo anterior. Em Decermilo parece ter existido um mosteiro de monjas destruído nos fins do séc. X por Almançor. Em 1401, D. João I, “vendo e considerando em como o Infante D. Henrique é já emancipado e em tal idade e disposição que lhe cumpre ter estado e o manter”, doou-lhe Gulfar, com Romãs — entre outras muitas mais terras, com o padroado das suas igrejas. O Infante D. Henrique empenhou Penalva e Gulfar, com Romãs, ao conde de Viana D. Pedro, por 5.000 dobras “valedis”; depois estas terras “por o dito conde ser pago da maior parte delas” (diz uma carta de D. Manuel, duque de Beja e depois rei, datada de 1482), ficaram empenhadas a D. Duarte de Meneses, conde de Viana, por 2.000 coroas. D. Manuel desempenhou-as para si, mas fez contrato com D. João de Meneses, filho daquele e futuro conde de Tarouca: este pagaria parte e teria jurisdição, embora o senhorio e as igrejas ficassem reservadas ao duque de Beja. Este, sendo já rei, doou Gulfar, incluindo Romãs, a D. João de Meneses, razão por que foram senhores deste lugar os condes de Tarouca, por sucessivas confirmações reais. No respeitante ao padroado da igreja local, no séc. XIII, ele era da coroa, e o templo situava-se “in hereditate regis”; todavia, os paroquianos apresentavam aí o pároco. Na ocasião, só o rei possuía comenda e maladia no lugar, e as viúvas estavam dispensadas de pagar lutuosa.O altaneiro pelourinho, máximo símbolo da justiça concelhia, ergue-se ainda no antigo largo do município, extinto na primeira metade do século XIX. Desses tempos existem ainda algumas edificações que emanam nobreza e tradição.Terra inesquecível, com um invejável panorama histórico-natural pelo que se anseia conhecer toda a sua sabedoria e espírito de uma piedosa comunidade rural.


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home