À Lapa da Caldeira e Penedo da Moura
À saída de Rãs, do lado direito, ainda dentro da povoação, vê-se da estrada o Penedo da Lapa Borrada. Com um nome tão pouco convidativo, continuamos em frente e, já depois do casario, aproveitando uma entrada larga no terreno à nossa direita, restos de um velho camião abandonado assinalam o início do nosso percurso. Avançamos a pé pelo pinheiral. Do lado esquerdo aparece-nos a Corga das Urgueiras, com marcas de antigas explorações mineiras de baril . Do lado direito a Corga da Fonte do Sal, que atravessamos, chegando à Corga do Lagarto. Um pouco mais à frente, passamos por uma árvore da carrasqueira e chegamos à Corga do Ancinho. À direita, avistamos a Corgo dos Pousados, seguida pela Corga das Solheiras, avistando-se ao longe restos de um muro de pedra. Chegamos ao Lajão Gordo, que servia de escorrega aos miúdos. Avançamos até ao Cabeço ou Alto das Presas e chegamos à Fonte das Presas. Ao fundo, na direcção de Rãs, a Corga Grande. Um pouco mais à direita a Corga do Esguicho. Numa rocha disposta no terreno em forma de U- a Mina de Ouro - foi cavada pelo homem, não para exploração do nobre metal, mas para esconder um tesouro ao exército de Napoleão que saqueava tudo o que encontrava pela frente, ao tempo das invasões francesas. Não sabemos ao certo o que se passou, mas a memória do local ter-se-á perdido e dizia-se que foi por um sonho que D. Ana de Decermilo terá recuperado o tesouro.
Seguimos para a Lapa da Caldeira, que abrigava os pastores e caçadores. Ainda hoje nos podemos sentar nas duas pedrinhas que ali colocaram a servir de banco. Os pastores faziam ali fogueiras para se aqueceram, transportando da aldeia o fogo em bosteira de vaca que ficava a remoer o dia inteiro.
Penedo da Moira – nas noites de S. João, pela madrugada fora, vinham os jovens da aldeia para ver a moira estender as meadas de linho para corarem ao sol. Fala-se de um buraco na rocha, que não conseguimos localizar, onde se enfiava a cabeça e se ouvia um zunido. Diziam os garotos que era a moura a fazer o comer. De um dos lados, a rocha tem uma configuração de chaminé, tomando a designação de Forno dos Mouros. No chão queimado pelo fogo recente, surgem aqui e ali umas flores violeta, com pétalas estreitas, designadas por campainhas ou brincos de Nossa Senhora. Em frente fica o Alto das Rolas. Mais abaixo fica o Vale das Lebres.
Seguindo o caminho encontramos o bogalhão que antigamente se apanhava para dar de comer aos porcos. Mais à frente, uns arbustos de junça, indicando que nos encontramos em terrenos com muita água. O que se confirma mais acima ao depararmos com a Fonte Cimeira, uma fonte que nunca seca. Junto a ela, um providencial púcaro de barro dos resineiros permite-nos saciar a sede. Que bela água! Ali, à espera de cumprir o seu destino de saciar a sede ao homem com honras de fontanário do melhor granito.
Passamos por um carreiro batido pelas raposas, que passam sempre pelo mesmo sítio. De vez em quando encontramos uns buracos rodeados de pequenas pedras brancas sinalizando antigas explorações mineiras de baril. Um arbusto raro – a piorneira – da familia da giestas, que produz uma flor amarela, apresenta-se roido pelos coelhos. Do céu, um milhafre executando voos circulares, observa-nos.
Prosseguimos, e chegamos a um planalto; a Verdiada. Deparamos com um circulo de pedras que os jovens pastores colocaram na poça de água para saltarem de umas para as outras. Já lá devem estar há várias dezenas de anos, pois um destes pastores é o nosso cicerone, o Sr. Ernesto Pinto, já com 72 anos.
A frente o Vale das Lebres e a Quelha do Bôco. Mais abaixo a Fonte do Vale do Carvalhinho. Junto a uma antiga exploração de pedra, um intrigante alinhamento pedras muito antigo, talvez do tempo dos mouros. A terminar o percurso passamos ainda pelo Penedo do Lobo (na foto acima) e pelo o Penedo Mendeiro (junto depósito de água), antes de regressarmos à estrada.

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